domingo, fevereiro 25, 2007

Oito e Oitocentos

Entre ervas e mates, vagens e verdes, em passeio domínico-matinal pelo Mercado Municipal de Piracicaba, flagrei-me pensando na convivência dos extremos e opostos em nossos pós-modernos tempos.
Enquanto alguns compram suas saladinhas prontas e embaladas a vácuo, dispostas em vitrines refrigeradas e pagas com cartões "chipados", outros tantos não abrem mão de meter a mão nos sacos de grãos (como uma certa Amélie de um filme francês), de esmiuçar os maços de folhas em busca daquele mais fresquinho, ou simplesmente, do mais simpático. E ao final, pagar tudo com notas e moedas que já conheceram muitas mãos.
Podemos escolher entre o cheiro do jornal ou o brilho da tela, para a atualização diária do banco de dados pessoal.
As ofertas nos chegam em panfletos que inundam nossos carros, ao mesmo tempo em que giram e pulam frenéticamente em banners e pop-ups.
Pergunto-me, então, qual será o limite dos opostos. Terá sido sempre assim? Ou o homem de tempos pra cá está pensando e criando mais velozmente do que é capaz de usar?
Divagações.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

A Honoré



Caiu a ficha
Amadureci
Como sei?
Apaixonei-me por outras mulheres

Não, não é isso que estás a pensar!
Diferente dantes amo seus enredos
Tenros e agridoces
Cheios de libido e generosidade

Busco-as nos espelhos e vitrines
Persigo seu reflexo
Me encaro

Transcendo o estar
Intento ser
Firmo a identidade
Ilustração: "O Nascimento de Vênus", Sandro Botticelli.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Últimas impressões

ECOBACANAS

Lembram-se dos ecochatos? Pois é. Eles saíram das notícias de rodapé e ganharam as manchetes. E, agora, como os mocinhos, heróis determinados a salvar o planeta, literalmente.
Enfim, combater publicamente o aquecimento global ou defender a sustentabilidade está na moda. Da pauta do World Economic Forum em Davos à ambientação da São Paulo Fashion Week, os temas ligados à preservação do planeta são a bola da vez. Felizmente. Nomes ganham fama mundo afora sob a alcunha de “ecologista”. Vide Al Gore. Confesso que em alguns momentos achei os ecocaras exagerados. Mas, passados quinze anos da Eco 92 entendo que, neste caso, se não bater na mesma tecla repetidas vezes e com força a platéia não ouve. E o pior, se finge de surda.


AEROCHATOS

Com as companhias aéreas costuma ser assim: se está tudo bem, bem. Mas, se algo sai do script, então, o remédio é suco de maracujá em doses cavalares. A aptidão para gerenciar crises, pequenas ou grandes, dos funcionários das aéreas sempre me pareceu bastante débil. Especialmente, dos moços e moças donos dos guichês de check-in e dos balcões das salas de embarque. Em geral, são craques na maquiagem e no penteado, mas muito pouco hábeis em prestar um atendimento aos clientes que vá além das frases ensaiadas. E pior, diante de uma pergunta cuja resposta não consta no manual, costumam perder a classe.