segunda-feira, novembro 21, 2005

Balzac e Saramago: dos 30 aos 80. Ou dos 80 aos 30.

Para inaugurar esse blog, falo do livro que acabo de devorar: As Intermitências da Morte, do Saramago, esse senhor português admirável. Mais do que a narrativa fantástica da obra, sobre as vontades e desejos da morte como ente que determina o fim de nossa viagem por aqui, nossa única e indesejada certeza, o que sempre me toca ao terminar um livro desse senhor é saber que aos 80 e tantos anos ele está no auge de sua lucidez e produção literária. A poucos dias de completar meus trinta anos e passar para a fase que Balzac descreve de forma romântica em seu livro "A mulher de trinta anos" - na acepção dialética do termo romântico, do belo e do trágico que se completam e coexistem - penso que faz sentido olhar adiante e fazer um balanço dos passos até então. Não se preocupem, não o farei aqui! Isso reservo para os momentos de necessária solidão, para os últimos minutos antes de adormecer, para os primeiros ao acordar... Mas já concluo que é reconfortante e ao mesmo tempo incômodo ter um exemplo como Saramago. Concluo e ratifico uma frase feita, a que diz ser necessário aproveitar cada minuto de nossas existências. Sem achar que é possível recuperar o tempo perdido lá na frente, porque, ao contrário do que possa parecer, só é possível ser produtivo e lúcido aos 80 e tantos anos se durante toda nossa vida treinamos e convencemos nossa mente, nossos corpo e coração para isso. Se ao chegarmos lá cremos que realmente vale a pena estarmos despertos, por tudo o que fizemos, aprendemos e temos "ainda" a oferecer, a multiplicar, a dizer, a ensinar, a amar, a viver.

6 comentários:

Cláudia Ducatti disse...

Oi minha querida amiga...
percebi q vc está um tanto...... inspirada.. será q esta com medo de chegar aos 30 ? ou talvez se preparando para escrever um livro :)

sinceramente, acho q a segunda opção vc se sairia muito bem...

Adorei o q escreveu... acho q vc começou muito bem seu Blog...

Saudades

Juju disse...

Queria escrever algo absolutamente inteligente para fazer jus ao seu texto tão inspirado e inspirador mas não achei algo melhor do que... obrigada.
Bjo
Ju

Naíse disse...

Amanda,
Belas palavras. Acho que agora encontrei uma fonte inspiradora com palavras sensatas e que nos levam a uma inteligentíssima reflexão.
Eu, também, gostaria de comentar algo que chegasse perto do seu texto, mais como seria algo quase impossível... Irei reduzir minhas palavras em: Parabéns!
Obrigada pela dica do livro. (risos)

Anônimo disse...

Olá, Amanda

Tive o prazer de "conhecer" a José Saramago no tempod e faculdade.
Escritor difícil de ler pelas diversas interpretações que sugestiona a falta de pontuação em seu texto, ao mesmo tempo que apaixonante por fazer que se retorne ao texto inúmeras vezes para se chegar ao íntimo daquilo que ele pretente colocar.
Sem dúvida alguma, dar início ao seu blog com uma indicação de Saramago é no mínimo brilhante, não obstante, você conhece minha profunda paixão por Florbela Espanca, uma literata também portuguesa que teve uma vida por demais sofrida e por conta de todas as suas passagens e inspirada na época do modernismo, também escreveu belíssimos poemas.
Portanto, Amanda, fica aqui uma nova indicação de leitura!!!
Quanto ao fato de estar prestes a entrar nos 30 anos... Comemore muito, mas confesso que ainda não serão tão comemorados quanto os 40, que é quando a vida começa a acontecer. :o))
Um beijo grande, e até breve!

Pilar

Anônimo disse...

Amandita
Como pós-balzaquiana (daqui uma semana completo 50 primaveras - e pelo menos uns 60 verões já que tenho o privilégio de vivê-los em dobro!!!) não posso deixar de incluir aqui meus comentários, não tão inspirados mas certamente muito orgulhosos: de ver esta geração "acontecendo", de lembrar de muitos papos nossos, pensando que ainda que só por um "tiquinho", contribuem para essa pessoa que voce é! Continue alimentando nossos espíritos e corações com suas idéias e observações! Beijo Ana

Anônimo disse...

Obrigado por Blog intiresny