segunda-feira, outubro 30, 2006

Pagus pós-modernas

Estava aqui revendo os resultados das eleições e notei que as senhoras andaram marcando forte presença nestas disputas. Segundo contabilizei, foram 11 as contendoras nos pleitos estaduais, em um total de 27 estados incluindo o Distrito Federal. Leia-se, portanto, mais de 40% de presença feminina. Além das 2 candidatas à presidência e de outras muitas que disputaram cadeiras no senado e nas câmaras federal e estaduais. Confesso que não saberia afirmar se efetivamente houve um aumento na participação das mulheres. Apenas chamou-me à atenção e fiquei com a impressão de que temos mais saias desfilando nas contendas pelos poderes executivo e legislativo.

Ainda sobre mulheres e poder, comentava dia desses com meu marido sobre boa parte de minhas colegas e amigas serem “arrimo de família”. Não deveria me surpreender, já que há algum tempo freqüentes estudos e pesquisas dão provas do fato. Na verdade, o que realmente me admira é notar que, em sua grande maioria, elas não abandonaram os outros papéis tradicionais. Ocasionalmente, o de Amélia é posto de lado, por não caber ou não as sobrar tempo para representá-lo. Mas já os figurinos de mãe, de amante e amiga (além do de profissional) estão quase sempre impecáveis e neles essas notáveis damas desfilam tranquilamente, os alternando ou sobrepondo ao longo das horas, ou mesmo dos minutos. Haja cintura para tanto jogo!

Como bem disse a Rita Lee no papel de uma destas mulheres na música Pagu, “minha força não é bruta”.

2 comentários:

Flavio Ferrari disse...

Creio que o mundo seria melhor com uma maior participação das mulheres na política.
Mas não aquelas que se "masculinizam" para chegar lá, anexando o que os varões tem de pior para poder competir em um universo construido pelos homens.
Na verdade, o mundo ficaria melhor sem a política, mas isso é utopia.
Também ficaria melhor sem papeis a desempenhar, mas que fazer dessa nossa vocação para fingir e fugir da vida ?
"Eu tive um sonho ...
Onde bastava estar vivo para ter o direito de ser...
Mas o sonho era só meu
E enquanto eu sonhava,
a vida lá fora acontecia.
Foi triste acordar...
Mas é melhor viver
do que sonhar. "

Amanda Arthur disse...

Não sei se peguei o sentido de "vocação para fingir e fugir da vida"... Acho que há um pouco de força vital, natural nos papéis que desempenhamos. Por isso me surpreendo com as acrobacias destas mulheres equilibrando-se pela vida afora.
Agradecida pelo lindo verso!
Beijo carinhoso,
Amanda